Por Nathan Diirr e Vanessa Avanci (Economistas do IDEIES/FINDES)

O comércio exterior é muito importante para a economia do Espírito Santo, o que se observa pelo seu elevado grau de abertura comercial, ou seja, a relação entre a corrente de comércio (exportações+importações) e o PIB capixaba. 
O grau de abertura comercial para o estado é considerado elevado (0,33 em 2017), bastante superior ao do Brasil (0,18). Isso tem por consequência que o nível de exposição da sua indústria e dos demais setores aos eventuais choques externos é maior do que em uma economia fechada.

O crescimento das exportações capixabas entre 1997 e 2017 manteve o Espírito Santo entre os principais estados exportadores do Brasil, com uma participação média de 5%. Neste período, outros estados do Brasil aumentaram suas exportações em produtos que o Espírito Santo também exporta, o que resultou em perda relativa de participação do estado em produtos que não são commodities.

Entre 2012 e 2017, cerca de 89% do valor das exportações capixabas foi alcançado com a participação de apenas dez produtos na pauta que são eles: minério de ferro (41%), produtos semimanufaturados de ferro e aço (13%), pasta química de madeira (11%) e obras de pedra (granitos) (8%). Os combustíveis minerais, principalmente, o óleo bruto de petróleo, ganharam participação significativa na pauta de exportações do estado, passando de 4,8% em 2007-2011 para 11% em 2012-2017. A grande importância das commodities na pauta de exportações do estado é um fator determinante para sua elevada concentração. Entre 1997 e 2017, a média do índice de concentração em produtos (ICP)¹ do Espírito Santo foi de 0,21, mantendo-se muito elevada em relação ao Brasil, que em média obteve um índice de 0,02. A pauta também se apresentou concentrada em relação aos mercados de destino para os bens exportados pelo estado. Os Estados Unidos foram o principal parceiro comercial entre 2012-2017, com uma participação de 22,3% nas exportações capixabas, seguido pelos Países Baixos (10%) e pela China (7,6%).

Para analisar a competitividade da indústria capixaba de maneira dinâmica relativamente aos fluxos de comércio dos demais estados brasileiros foram utilizados indicadores de vantagens comparativas reveladas. O resultado foi a identificação de “pontos fortes” consistentes da economia capixaba em termos de comércio exterior nos seguintes setores: fabricação de celulose e de papel, aparelhamento de pedras e fabricação de outros produtos de minerais não-metálicos, siderurgia e produção de tubos de aço.

Em síntese, este estudo apresenta importantes pontos de discussão crítica para o futuro do comércio exterior no Espírito Santo. A pauta de exportação continuou muito dependente de produtos intermediários, o que, no caso das commodities gera uma vulnerabilidade da economia às flutuações dos preços internacionais. Além disso, houve perda de competitividade em relação aos demais estados do país em produtos que já são exportados, ou seja, é possível buscar novos mercados para os produtos capixabas. Por fim, só foram alcançadas vantagens comparativas em setores de baixa intensidade tecnológica. Estes são importantes para o crescimento das exportações e sua diversificação, mas o Estado também deve buscar uma estratégia de desenvolvimento que agregue mais valor aos seus produtos.

O estudo completo pode ser acessado em: https://ideies.org.br/publicacoes/estudos-especiais/

¹ Este índice mede o grau de concentração da pauta de exportações do ES. Quanto mais próximo a unidade maior é a concentração em produtos.